quinta-feira, 5 de junho de 2008

Vocabulário (24/05/2008) - Centro Cultural b_arco

Vendo comentários colocados por aí em alguns blogs (organizadores do evento e poetas), comecei a me questionar se realmente estive presente neste evento. Putz, a dúvida e a angústia eram tantas, que não fiquei tranquilo até consultar um psiquiatra, e com isso obter um diagnóstico negativo para esquizofrenia. Aí, como vi que o problema não era com a alma, resolvi testar o espírito, e assim, procurei um padre, em seguida um pai de santo (nunca se sabe quem tem a verdade!). Também fui atrás do Xamã, mas não consegui contatá-lo, não é que o cara está em retiro espiritual ... isolado do mundo ... Por isso que demorei tanto para escrever ... levou uns 10 dias para ter a confirmação que não tenho nenhum problema ... seja físico, mental ou espiritual, rs!

Pra ser sincero, minha opinião sobre o evento foi completamente diferente da encontrada nos blogs por aí, que só postaram críticas positivas ... Para mim, faltou química ...

Pra começar, Paulo Scott não teve graça, nem aqui e nem em Garopaba (nem mesmo com muito fumo). Para mim, o seu desempenho foi digno de um figurante da “Praça é nossa” ... Tainá Muller bem que tentou, mas com tantas inspirações e respirações faltou muuuuuito oxigênio poético, e sobraram clichês ... Fernanda D’umbra então ... foi o ponto baixo da noite ... senti pena dela ao demonstrar (dichavava segundo alguns) o significado do seu nome ... suas canções a capela foderam mesmo, mas com os nossos ouvidos ... e, para encerrar a sua participação em “grande estilo", ela irritou-nos com uma dramatização. Isso sem contar as demais peripécias deste encontro, mas não quero me alongar muito nisso ...

Mas aos sobreviventes (que não se retiraram), o evento trouxe surpresas agradáveis, como uma participação sensacional de André Sant’anna e grupo, com músicas e textos de altíssima qualidade.

Mas na real, não compreendi a razão de tantos “agradecimentos” e “elogios”, já que tive uma percepção tão diferente do evento, mas conversei com alguns amigos que lá estiveram há alguns dias atrás, e percebi que minha opinião não foi única ... e comecei a me perguntar a razão disso ...

Mas o que vejo acessando todos aqueles blogs já citados é que as opiniões e o conteúdo postado não divergem em nada um do outro, sendo estas baseadas muito mais na amizade e relacionamento interpessoal entre o pessoal do “grupo”, do que propriamente a qualidade do trabalho realizado.

Com isso, um alimenta o “ethos” do outro, gerando o crescimento de grandes egos ... e as criticas acabam sendo descartadas logo de cara, já que surgem de pessoas alheias "distantes" do grupo ... Trata-se de uma atitude fascista, mascarada por um falso véu de simpatia ... e com isso, estes artistas tornam-se mercadorias, e eventos como o Vocabulário tornam-se uma vitrine para sua autopromoção ...

Agradeço e aprecio a iniciativa deste evento relacionado à literatura, ainda mais em um país tão carente deles ... E realmente espero a continuidade dele, e que o próximo seja muito melhor ... Mas lembrem-se: a evolução não decorre contemplação ao elogio, mas sim da compreensão e absorção da crítica ...

Resta saber se elas serão ouvidas ...